ASSERTIVO, R. I. P.
Mas agora chega. Não tenho tempo para isto, e já ninguém liga a blogs, por isso não vale a pena insistir. Tenho consciência de que escrevi coisas interessantes, mas também que a maior parte daquilo que escrevi é, para as multidões, uma verdadeira chatice. O post que suscitou mais comentários foi um em que falei de futebol. Quando as coisas chegam a este ponto, não resta mais nada a dizer, pois não? Decerto que não, por isso para quê insistir?
Agradeço, do fundo do coração, a todos quantos me leram e comentaram. Espero ter contribuído para que reflectissem sobre este ou aquele ângulo das questões por que me interessei – porque tive sempre a consciência que aquilo que nos é mostrado pelos «media» é menos de metade do que aquilo que realmente aconteceu. Espero, também, ter conseguido – embora esta seja uma ambição um pouco megalómana – ajudar à compreensão de certas questões, designadamente as de natureza jurídica.
Contudo, mesmo se tivesse obtido esses êxitos, ainda restaria o cansaço enorme de escrever num meio tão difuso e desvirtuado como o dos blogs. É interessante, este fenómeno: permitiu dar voz e opinião a muita gente, mas foi vítima do seu próprio sucesso. A generalização dos blogs teve o efeito oposto ao que muitos pretendiam: ao invés de serem divulgados, perderam-se numa amálgama. Os blogs foram usados como espaços comerciais, como mini-sites pornográficos e como álbuns de fotografias, e todo o seu interesse se perdeu à custa da banalização. É pena – mas é o que acontece com tudo o que se banaliza.
Au revoir (em francês, para chatear os neoconservadores…)
